Produção de energia solar vai chegar aos bairros da Mouteira, Francos, Lordelo do Ouro e Fernão Magalhães
25/02/2025
Ultrapassado – na quase totalidade – o impasse burocrático que atrasou a efetiva constituição do Bairro de Agra do Amial como a primeira comunidade energética na cidade, o Município do Porto quer estender a estratégia a outros bairros. Construção de unidades de produção de eletricidade de fonte renovável para autoconsumo coletivo na Mouteira, Francos, Lordelo do Ouro e Fernão Magalhães foi aprovada, por unanimidade, na reunião de Executivo de segunda-feira.
A construção e a manutenção destas unidades, competências delegadas na Águas e Energia do Porto, apresentam um preço base de cerca de 1,7 milhões de euros, sendo que o valor base dos encargos a suportar, cuja autorização adicional de despesa foi agora aprovada, referente aos anos de 2027 a 2035, será superior a 183 mil euros.
O vice-presidente da Câmara refere que esta proposta surge “na sequência do que tem sido a experiência no Bairro de Agra do Amial”, que tem a comunidade energética a funcionar desde junho.
São “83 famílias, 15 serviços comuns, três carregadores de veículos elétricos e uma escola básica”, lembra Filipe Araújo, a utilizar a energia de produção própria, feita a partir dos painéis fotovoltaicos instalados pelo Município, no âmbito do projeto Porto Solar.
“Em média, as famílias têm um benefício de cerca de 40% na fatura de energia”, reforça o autarca, considerando este “um momento muito importante para a cidade, para passarmos a falar de produção de energia não apenas por quem tem condições para instalar painéis”.
Filipe Araújo acusa, no entanto, mesmo passados dois anos “de lutas burocráticas”, desde a instalação dos equipamentos, “ainda não temos autorização para as baterias fornecerem a energia que armazenam às pessoas”.
“Acho vergonhoso, diz muito da forma como a administração intermédia funciona”, sublinha o vice-presidente, ao mesmo tempo que lembra como “não são apenas as pessoas que ali vivem que beneficiarão”, uma vez que a ideia de comunidade energética é, precisamente, a distribuição “pelos edifícios à volta”, numa “lógica de proximidade”.
Também para o presidente da Câmara esta é “uma iniciativa fundamental”. Em sintonia com Filipe Araújo, e salientando o esforço desenvolvido, Rui Moreira considera que “começa a ser impossível definir coisas quando a administração intermédia do Estado está completamente à solta e a fazer o que quer”. Referindo-se à situação como “um drama”, admitida pelos próprios ministros, o autarca confirma a dificuldade em “querer fazer as coisas, ter o dinheiro e depois nada acontece”.
Para Sérgio Aires, do Bloco de Esquerda, “é isso que põe tudo em causa”, demonstrando “um desrespeito absoluto pelas estratégias”, ao mesmo tempo que a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, lamenta “que a administração central não tenha o mesmo tipo de avanço” do Município do Porto nesta matéria.