Porto está a diminuir a pegada ecológica e a tornar-se mais sustentável
15/05/2023
Durante dois dias, o Porto foi citado, por diversas vezes, como uma das cidades mais sustentáveis do país e onde alguns programas municipais promovem a alteração de hábitos tendentes à diminuição da pegada ecológica. Foi durante a conferência “Cidade Azul”, promovida pela Câmara Municipal e o jornal Público, no Super Bock Arena – Pavilhão Rosa Mota.
Esta sexta-feira, antes da intervenção final, a cargo do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o presidente da Câmara do Porto participou, num painel (“As políticas”), inserido num debate mais geral subordinado ao tema “As cidades costeiras e a crise climática: da ameaça à urgência na adaptação”.
E foi aí, na companhia de Elena Espinosa, conselheira da alcalderia de Vigo e ex-ministra da Agricultura de Espanha – (Axel Schmidt Grael, prefeito de Niterói (Brasil), participaria através de um vídeo) – e com moderação de David Pontes, diretor adjunto do jornal Público, que Rui Moreira garantiu que é “necessário alterar hábitos. Os mais novos ensinarem os mais velhos e haver mais formação ambiental nas escolas”.
“Temos de adequar as cidades àquilo que é uma nova realidade e que passam por duas linhas de ações fundamentais: uma, mitigar o que já não podemos impedir. Estamos a viver uma alteração profunda das condições climatéricas”, adiantou o autarca, dando como exemplo de atuação do Município o que foi feito no Parque da Asprela, este ano inaugurado: “Foram criadas bacias de retenção de águas. Não só para captação e assim não as perder completamente, mas também para que não causem estragos”.
Por outro, o novo Plano Diretor Municipal (PDM) integrou um conjunto de medidas, que prevê, em determinadas zonas costeiras mais junto do mar, “que não sejam permitidas mais construções. Vão ter de ser tomadas medidas porque o mar subiu cerca de 20 centímetros”, acrescentou.
Relativamente à pegada ecológica, Rui Moreira deu também alguns exemplos demonstrativos da sua diminuição da cidade. “Quando chegámos à liderança da cidade, a água não faturada andava nos 23%, 24%. Neste momento, está nos 13,5% e vamos chegar aos 10%”, disse, revelando, por outro lado, que as habitações municipais foram dotadas de maior eficiência energética: “Não apenas diminuímos a necessidade de consumo de energia para aquecer as casas, como aligeiramos a fatura que as famílias têm de pagar. Hoje, estamos com uma nova ousadia, utilizando os telhados dessas mesmas casas para produzir energia fotovoltaica”.
Por outro lado, frisou, “já conseguimos separar no Porto cerca de 42% do lixo. Neste momento, há menos de 1% que vai para aterro. O resto é utilizado para a produção de energia”.