Paris veio ao Porto plantar exemplo de uma cidade-jardim
29/10/2026
Paris está a plantar um novo plano local urbano para fazer da capital francesa uma cidade-jardim – mais verde e fresca. E foi esse exemplo que o vice-presidente da Câmara parisiense trouxe à segunda edição da Porto Urban Greening Biennal, que decorre, sob o tema “Cultivando Comunidades”, esta quinta e sexta-feira na Fundação de Serralves, com o apoio do Município do Porto.
“Queremos trazer a natureza para onde for possível, para que ela viva na cidade e não apenas nos arredores”, afirmou Christophe Najdovski, que começou a implementar o plano em 2024, focado na nova construções de jardins, assim como na regeneração dos espaços existentes.
A diferença já se nota em toda a cidade, com a transformação de antigas linhas de caminho de ferro, rotundas ou baldios entre edifícios em espaços verdes, a devolução das ruas aos peões, a criação de pequenos jardins nas artérias escolares, a eliminação de lugares de estacionamento para “devolver os passeios”, a utilização dos telhados para soluções baseadas na natureza e a plantação de árvores “em todos os lugares possíveis”.
O vice-presidente sublinhou alguns números que refletem a estratégia: 370 ruas intervencionadas; mais de 150 mil árvores plantadas; cerca de 150 hectares de coberturas verdes; mais de 30 espécies de peixe de volta ao Rio Sena; uma política de zero pesticidas. “Queremos fazer da cidade a nossa sala de estar”, assume Christophe Najdovski.
O sentimento de pertença encoraja a uma utilização responsável e fortalece o compromisso com a proteção do património ambiental
Em representação da vice-presidente da Câmara do Porto, Catarina Araújo, o adjunto, Diogo Meireles, reforçou, na abertura da Porto Urban Greening Biennal, como uma cidade se constrói “pelas experiências quotidianas e pelas relações que as pessoas estabelecem entre si e com os espaços que partilham”.
“Os espaços verdes são mais do que parques ou jardins e contribuem para o nosso bem-estar, fortalecendo a coesão social e aproximando a natureza da vida urbana”, sublinha, acrescentando a importância de envolver as pessoas “no desenho, implementação e gestão destes locais”.
O responsável referiu como “este sentimento de pertença encoraja a uma utilização responsável e fortalece o compromisso com a proteção do património ambiental”.
O adjunto lembrou como o Município prevê que “a gestão de determinados espaços verdes públicos possa ser confiada diretamente a moradores, grupos de moradores, escolas ou instituições locais para tarefas de limpeza, conservação e vigilância”.
“Além disso, estamos a promover com os nossos parceiros científicos laboratórios vivos para ações de restauro ecológico, mapeamento de zonas húmidas e monitorização da biodiversidade urbana”, acrescentou.
Com o apoio do Município do Porto, a Porto Urban Greening Biennal é organizada pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e pretende responder aos desafios prementes do século XXI. Os principais painéis de debate debatem a requalificação das áreas residenciais degradadas, a participação das comunidades para criar um cenário mais verde e a despavimentação e renaturalização urbana.