Cidade sustentável procura forma de construir habitação digna e preparada para as alterações climáticas
14/06/2025
A discussão sobre as novas técnicas de construção, o impacto na sustentabilidade ambiental e a importância das soluções de climatização inteligentes juntou especialistas do setor da construção na 4.ª edição do Congresso Internacional Giacomini, sob o tema “Edifícios do Futuro”. Convidado para abrir a partilha de soluções, o vice-presidente da Câmara sublinhou a “urgência de reduzir a pegada de emissões dos edifícios e de os preparar para os desafios das alterações climáticas”.
“A crise habitacional exige escala e velocidade, mas não pode ser feita à custa do futuro”, defende Filipe Araújo. O também responsável pelo Ambiente considera que “não podemos continuar a construir como no passado. É urgente acelerar processos, inovar em soluções construtivas e promover modelos mais sustentáveis e circulares, que reduzam consumos, reutilizem materiais e respeitem os recursos do território”.
“Construir mais, sim — mas com mais inteligência, mais responsabilidade e mais visão”, reforça o vice-presidente.
Lembrando que 50% das emissões de gases com efeito de estufa na cidade têm origem no edificado, Filipe Araújo chama, também, à responsabilidade as entidades do Estado, assim como a iniciativa privada e os próprios cidadãos.
Pelo Município, o autarca referiu a intervenção ativa, que já permitiu reduzir, em 20 anos, as emissões em mais de 52%. E deu como exemplos a criação da primeira comunidade de energia renovável, a reabilitação da habitação pública, focada no conforto térmico, a contratação de 100% de energia elétrica de origem renovável para todos os edifícios municipais ou a substituição de toda a iluminação pública por tecnologia LED.
“Mas mitigar não chega”, sublinha o vice-presidente, trazendo ações municipais, como o aumento de espaços verdes, a impermeabilização do território, a aposta em soluções baseadas na natureza ou a instalação de estações meteorológicas, “que nos permitirão antecipar e responder melhor a eventos extremos”.
“Estes momentos de transformação, são uma oportunidade para criar valor, gerar inovação, garantir habitação digna e construir uma cidade mais justa, mais inclusiva e mais resiliente”
Para lá destas medidas, Filipe Araújo acredita que o novo Índice Ambiental do Porto terá força para “mobilizar promotores privados a aderirem à transição ecológica, especialmente em zonas vulneráveis da cidade e onde os edifícios estão desadequados às exigências do clima do futuro”.
Não se limitando à certificação do edifício, a nova ferramenta “avalia também a parcela urbana: a forma como lida com a água da chuva, a biodiversidade, a vegetação existente e os materiais utilizados”.
Admitindo a necessidade de “construir mais e melhor, com mais eficiência, mais rapidez e menor impacto ambiental” para enfrentar “uma crise habitacional sem precedentes”, o vice-presidente da Câmara reforça que “mais do que um dever, estes momentos de transformação, são uma oportunidade”. “Para criar valor, gerar inovação, garantir habitação digna e construir uma cidade mais justa, mais inclusiva e mais resiliente”, conclui.
O Congresso Internacional Giacomini chamou ao debate sobre “Edifícios do Futuro” representantes de entidades responsáveis, de indústrias da construção, da fabricação e comercialização de soluções de climatização, assim como arquitetos, engenheiros, profissionais da construção e da instalação.