Porto leva ao MIPIM exemplo de descarbonização que envolve toda a sociedade
13/03/2025
O exemplo da autarquia e o envolvimento de toda a sociedade no desenvolvimento de políticas e medidas é a resposta que o presidente da Câmara do Porto levou à conferência “Planeie a transição para o Carbono Zero: Roteiros de descarbonização das cidades como orientação”. Iniciativa decorre dentro do MIPIM, onde a região se apresenta como polo de atração de investimento.
“Não temos opção se não continuar a tomar medidas pela sustentabilidade do planeta”, afirmou Rui Moreira, admitindo o “fardo que temos de carregar”. Nas palavras do autarca, “independentemente do que aconteça, temos de mostrar aos cidadãos que estarão melhor – como indivíduos e como coletivo – se fizermos as coisas bem”.
O presidente da Câmara participava, esta terça-feira, numa sessão com representantes do Conselho Holandês de Construção Ecológica, da empresa letã Ekodoma, da empresa de capital de risco KOMPAS VC e da City of London Corporation.
Partilhando o receio das mudanças, a nível político, que o mundo está a enfrentar no que diz respeito à visão sobre as alterações climáticas, Rui Moreira sublinha a necessidade de “continuar a motivar os nossos cidadãos a investir na descarbonização”. “Temos que lhes lembrar que se fomos os primeiros a carbonizar, temos de ser os primeiros a descarbonizar”, afirma.
E isso, acredita, faz-se, primeiro, pelo exemplo e, depois, demonstrando o impacto real “a longo prazo no planeta, mas também nas suas próprias vidas”.
“Temos mesmo que trazer as pessoas para as políticas. Se apenas lhes dissermos que vamos cuidar do clima, não vai resultar”
No MIPIM, o autarca referiu como o Município “usou os telhados da habitação pública para produzir eletricidade e isso impactou diretamente a fatura” dos cidadãos ou internalizou a gestão dos resíduos na cidade de forma a “podermos medir” esse trabalho, além de ter alterado a distribuição de água, potenciando a redução de perdas na rede.
“Não importa o custo, temos de ter uma cidade limpa”, reforça, defendendo a necessidade de, por vezes, “quebrar as regras antigas de gestão das cidades”, quando estes serviços eram, maioritariamente, privatizados.
Para Rui Moreira, um ponto essencial é que as pessoas “sintam que estão a contribuir”. Também para isso, referiu, foi criado o Pacto do Porto para o Clima, que pretende “juntar as pessoas para que transformem os seus interesses num interesse comum”.
“Temos mesmo que trazer as pessoas para as políticas. Se apenas lhes dissermos que vamos cuidar do clima, não vai resultar”, considera o autarca, referindo que “o que nós fizemos foi mostrar-lhes o que nós próprios íamos fazer”, nomeadamente na reabilitação dos bairros municipais para fazer face à pobreza energética, ou na intervenção nas escolas, tornando-as mais confortáveis.
“Falar de alterações climáticas é muito aborrecido, dizer às pessoas que têm de se sentir culpadas do que os seus antecessores fizeram é uma guerra perdida”
As medidas no Porto passaram, também, por questões como a tendência gratuita dos transportes públicos ou a disponibilização de internet nos autocarros, mas também pela aposta em mais espaços verdes e na explicação da sua necessidade.
“Não era apenas para passearem os cães, mas porque as alterações climáticas são reais”, refere Rui Moreira, certo de que “as pessoas se aperceberam, nos últimos anos, que áreas verdes que costumavam inundar hoje são capazes de absorver a água” por terem sido criadas bacias de retenção.
“A princípio ficaram muito surpreendidas, até bastante zangadas por aqueles lugares estarem cheios de água. Explicámos que era a forma de não inundar a rua e as pessoas começaram a aceitar e a aplicar nos seus espaços privados”, garante o presidente da Câmara.
Nas palavras do autarca, “se apenas dissermos às pessoas que precisamos de ter um planeta melhor, conseguimos envolver algumas, não conseguimos envolver todas. Falar de alterações climáticas é muito aborrecido, dizer às pessoas que têm de se sentir culpadas do que os seus antecessores fizeram é uma guerra perdida”. Pelo contrário, “quando lhes mostramos a recompensa, a cidade move-se”. “Temos de fazer as pessoas sentirem-se felizes com a sua cidade”, concluiu.