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A escola do futuro é verde e nem sequer tem quatro paredes

24/02/2025

Tudo começou numa maquete com as várias soluções baseadas na natureza que podem encontrar na Escola Básica do Falcão para, durante o último ano, os alunos descobrirem tudo o que há para lá das salas de aula em matéria de biodiversidade – “o conjunto de seres vivos: plantas, animais e nós”, adianta-se o João. E que mais? “Os fungos”, completa o colega Francisco. Dois anos depois do início da iniciativa “A minha escola é verde”, no âmbito do projeto europeu “MyBuildingIsGreen”, foram as próprias crianças que deram uma aula…aos pais.

Explicam, de cor, a diferença entre o musgo e o líquen, ajudam-se uns aos outros a referir a importância da cortiça e das fachadas verdes no conforto das salas, descrevem animais que nunca sonharam existir e contam a todos que a maior parte da energia gasta na escola vem do sol através dos painéis fotovoltaicos que estão no telhado. Também ele verde, “cheio de erva”.

“As abelhas ajudam a manter-nos a nós. Se elas não existissem, nós também não existíamos”. Aos nove anos, João Guilherme Pinho sabe mais que muitos adultos nas questões importantes do ambiente e quer que todos saibam como “a biodiversidade é muito importante para o nosso planeta”.

Orgulhoso da sua “escola verde que ajuda o meio ambiente”, o jovem confessa a diversão que foi “ir aprender lá para fora, sair da escola e ir à horta, ver o charco”. Uma surpresa todos os dias, como quando conseguiu encontrar, pela primeira vez, um besouro “mesmo aqui perto, nunca pensei”, confessa.

O colega Francisco Soares acrescenta a borboleta monarca e que “nem sempre todos os insetos são maus, são bons para a biodiversidade”. “Mesmo que nos ferrem, é porque se sentem ameaçados”, informa-nos.

Nas palavras da criança, “a minha escola é verde porque é cheia de floresta, cheia de plantas, e os telhados são todos verdes e cheios de cortiça, o que faz com que, nos dias de mais calor, nós sentimos mais fresco, e nos dias mais friorentos, sentimos mais calor”.

E há outra vantagem neste projeto: “respiramos melhor quando estamos perto da natureza”, confessa, certo da missão que ele e os colegas têm em mãos que é a de saber cuidar da escola para que a escola cuide deles.

Há muito que todos já perceberam a mensagem mais importante: a Escola Básica do Falcão – e todo o espaço que a envolve – “está melhor connosco. Porque nós somos o futuro deste mundo”.

E o vice-presidente da Câmara não podia estar mais de acordo. Também para Filipe Araújo “esta escola é muito especial, com várias soluções baseadas na natureza, caraterísticas que a tornam uma escola verde, eu diria mesmo uma escola de futuro”.

A proximidade à biodiversidade e à natureza, ao Parque da Alameda de Cartes e à Horta da Oliveira, “está, indubitavelmente, ligado, também, à aprendizagem e à forma como os alunos vão aprendendo e apreendendo o conhecimento”, considera.

Sem dúvida de que “a escola é feita da comunidade. É com as famílias, tem que ser um espaço onde crescemos em conjunto”, disse o autarca, afirmando que “a nossa comunidade escolar, sejam as crianças, os professores, ou os próprios pais, tem que, cada vez mais, perceber que, dentro da cidade, existe uma enorme biodiversidade”.

Por isso, o também responsável pelo Ambiente e Transição Climática sublinha como é “extremamente importante levar as crianças para fora da sala de aula” para conhecer, por exemplo, “as aves que as pessoas nem notam que habitam a cidade” ou “os charcos que têm imensa vida e, muitas vezes, nós desvalorizamos”.

É para dar à cidade um cada vez maior contacto com a natureza, até pela promoção da saúde mental, do convívio e do espírito de comunidade, que a autarquia vem investindo no aumento das zonas verdes, novos parques, novos jardins.

“As crianças brincam muito nos parques infantis, mas é, igualmente, muito importante que venham para a natureza jogar à bola, rebolar na relva, subir a uma árvore”, reforça Filipe Araújo.