Recolha de resíduos ganha "canivete suíço" em nome da modernização e da redução do impacto ambiental
06/02/2025
Ainda que, à primeira vista, pareça um camião normal de recolha de resíduos, é, na verdade, uma espécie de canivete suíço pelas várias potencialidades que vai acrescentar à limpeza urbana da cidade. Único em Portugal, além da recolha, faz a lavagem dos contentores – à superfície e enterrados – e é o ex-libris da frota de dez novos veículos que a Porto Ambiente adquiriu. Um investimento na casa dos quatro milhões de euros para uma sempre crescente modernização rumo a soluções com menor impacto ambiental e maior eficiência operacional.
“Temos um camião muito especial, que é o primeiro em Portugal que faz lavagem de contentores, sejam enterrados, sejam à superfície”, explica o vice-presidente da Câmara, sublinhando como o novo veículo “vai permitir, com um único camião, fazer aquilo que era feito por três”.
“A higienização que agora conseguimos nos nossos contentores, que já fazemos com outras metodologias, vai ser melhorada em termos de eficiência. Para os colaboradores e para a capacidade da empresa”, assegura Filipe Araújo.
Mas o novo camião faz mais do que isso: “permite a aspiração de líquidos”, acrescenta o também responsável pelo Ambiente e Transição Climática, assim como de “resíduos sólidos, que às vezes ficam nos depósitos dos contentores enterrados, que são de difícil acesso, com os nossos colaboradores a ter que ir a uma profundidade muito grande para os conseguir retirar”.
E fá-lo, tal como os restantes novos veículos, deixando uma reduzida pegada ecológica, uma vez que nove dos dez camiões são movidos a gás natural comprimido (GNC). Enquanto faz avançar o abate dos camiões mais antigos, a nova frota vai permitir implementar novos circuitos de recolha seletiva.
Investimento de cerca de 6,5 milhões de euros traz 18 novos camiões
Com este investimento, a Porto Ambiente ganha, ainda, sete camiões de recolha e transporte de resíduos urbanos, um deles bi-fluxo, que permite a recolha simultânea de dois fluxos distintos, conseguindo otimizar recursos, e três com a capacidade de recolher carga superior e carga traseira em simultâneo, sendo os primeiros a GNC, nesta tipologia de viaturas.
A frota conta, também, com dois novos veículos para lavagem de contentores, ambos com a polivalência para lavagem de ruas, e tendo um deles a capacidade de lavagem de equipamentos de carga superior.
A empresa municipal tem já em marcha um novo procedimento para a aquisição de oito novos veículos de recolha, dos quais sete a GNC e um elétrico, o primeiro da frota. O investimento ronda os 2,5 milhões de euros e intensifica uma aposta iniciada em 2020, com a aquisição, na altura, de 20 veículos a gás natural e 11 a diesel.
O presidente da Câmara do Porto realça o “facilitar da operação” e as “melhores condições dos nossos trabalhadores” que a constante modernização da atividade da empresa traz consigo, permitindo “uma maior eficiência para a Porto Ambiente”.
Na apresentação das novas aquisições, Rui Moreira considerou “excelente” o balanço da internalização dos serviços de recolha de resíduos, mas também de limpeza das ruas, no Município.
Para o autarca, ter uma parte da cidade onde a recolha do lixo era própria e duas concessões a dividir o restante demonstrava “um sobrecusto e uma subqualidade”. “Numa concessão conseguimos medir o quê? A quantidade da recolha e até os quilómetros percorridos pelos veículos. Mas há uma coisa que nunca conseguíamos: era a verificação da qualidade”, afirma Rui Moreira.
Com a constituição da Porto Ambiente e a assunção da recolha de resíduos e da limpeza, “conseguimos criar uma equipa de grande qualidade” e assegurar a certificação do serviço prestado.
Recorde-se que a empresa municipal já foi, por duas vezes, reconhecida com o Prémio de Excelência do Serviço de Gestão de Resíduos Urbanos, e recebeu, em quatro anos consecutivos, o Selo de Qualidade de Gestão de Resíduos Urbanos, atribuídos pela Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos.
Certo de que “temos ‘know how’ no Município para fazer melhor do que os concessionários estavam a fazer”, o presidente da Câmara não tem dúvidas de que a internalização se trata de “um investimento importante para a cidade, daqueles que valem mesmo a pena”.