Novo jardim e horta biológica em Paranhos
13/01/2025
“Preparar (a terra) para que ela produza”, mas também “formar através da educação”. No dicionário, como na terra, “cultivar”, no Porto, significa mais do que plantar e cuidar para colher frutos e vegetais para consumo. Na regeneração do espaço que deu vida à nova Horta de Paranhos, significa uma agricultura sem químicos, uma alimentação mais saudável à mesa e um espírito de comunidade nutrido a cada nova semente.
“Os morangos que tive este ano são uma maravilha, não têm nada a ver com o que se compra no supermercado”. Quem o garante é Gisela Pabst e os morangos são os que foram plantados na anterior localização da horta.
A viver em Paranhos há 40 anos, vem de uma família alemã de agricultores, mas que, vivendo na cidade, tinha um terreno na periferia. No Porto, ganhou a proximidade para a sua atividade de permacultura.
Na terra cedida pelo Município, Gisela aproveita “tudo o que se deita fora” para o composto e ainda sublinha a importância da vertente pedagógica do projeto “Horta à Porta”: “Tenho crianças pequenas ao meu cuidado e gosto de as trazer aqui para aprenderem como é que os vegetais crescem”. “Muitas crianças hoje não sabem de onde vêm os produtos”, lembra.
Gisela Pabst reforça que a horta “é ideal”, também, “para as pessoas que, cada vez mais, gostam de uma alimentação vegan”. “Fica mais económico e as coisas são, verdadeiramente, muito melhores”, acredita.
Já com experiência na anterior horta, também Luzia Vale encontra o verdadeiro valor desta atividade em “sabermos o que comemos”. Motivada pelo gosto pela agricultura e por “ter, agora, um bocadinho mais de tempo livre”, Luzia reconhece que a dedicação à terra permite “tirar muito para casa”. E muito é mesmo muito: “ervilhas, favas, couves, pencas, alho, tudo!”.
No momento de entrega das chaves aos hortelãos que irão beneficiar de um dos 31 talhões do novo espaço, o vice-presidente da Câmara, Filipe Araújo, referiu como, no total, “hoje, temos 195 talhões à disposição, 195 famílias que praticam agricultura biológica na cidade, que daqui retiram os seus vegetais, muito daquilo que serve a sua alimentação no dia-a-dia”.
Um lugar que ultrapassa os 860 m2 destinados a “uma área considerável dedicada aos talhões e à produção biológica”, estendendo-se por um espaço revitalizado por um novo jardim, com mais de quatro dezenas de árvores e bacias de retenção, e que dá origem a novos caminhos que abrem a envolvente ao lazer e à circulação.
Mas, além de beneficiários, estes pequenos agricultores são, igualmente, agentes na missão da cidade em eliminar o uso de produtos químicos. Nas hortas comunitárias, é tudo biológico, refletindo a “estratégia para a biodiversidade na cidade que é conhecida”.
O vice-presidente lembra que o Município deixou de “usar glifosatos desde 2015, um químico potencialmente cancerígeno que era disseminado na cidade, pondo em causa a saúde pública”. “Temos aqui um espaço, que estamos a cultivar da forma mais correta possível, mais amiga do ambiente possível. Compete-nos a nós, Município, manter o solo e os terrenos da cidade cada vez mais saudáveis”, afirma Filipe Araújo.
Gerido em parceria com a Lipor, o “Horta à Porta” visa promover a qualidade de vida da população, através de boas práticas agrícolas, ambientais e sociais.
Além de disponibilizar talhões a particulares interessados em praticar a produção agrícola em modo biológico, oferece, também, formação na área e em compostagem, algo que, afirma o responsável pelo Ambiente, “as pessoas dizem ter prazer em fazer parte, numa cidade que tem o espírito de preservar a biodiversidade e cuidar do meio ambiente”.
Os produtos são para consumo próprio, sendo disponibilizada água, um compostor individual e um abrigo comum aos utilizadores, para armazenamento das ferramentas.
Atualmente, o Município do Porto gere seis hortas e o vice-presidente assume a vontade de, havendo oportunidade, “continuar a investir noutros locais”.
“Estamos a criar, na cidade, formas de haver este espírito de comunidade, que é tão importante ser, também ele, nutrido e cultivado”, sublinha Filipe Araújo.